Ixabel
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"Para ser grande, sê inteiro,
nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a Lua toda brilha,
porque alta vive."
Ricardo Reis
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Para os deuses as coisas são mais coisas.
Não mais longe eles vêem, mas mais claro
Na certa Natureza
E a contornada vida...
Não no vago que mal vêem
Orla misteriosamente os seres,
Mas nos detalhes claros
Estão seus olhos.
A Natureza é só uma superfície.
Na sua superfície ela é profunda
E tudo contém muito
Odes de Ricardo Reis
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Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 - Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.
É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa tendo seu valor comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, ao lado de Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Por ter vivido a maior parte de sua juventude na África do Sul, a língua inglesa também possui destaque em sua vida, com Pessoa traduzindo, escrevendo, trabalhando e estudando no idioma. Teve uma vida discreta, em que atuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura, onde desdobrou-se em várias outras personalidades conhecidas como heterônimos. A figura enigmática em que se tornou movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e obra, além do fato de ser o maior autor da heteronímia.
Morre de problemas hepáticos aos 47 anos na mesma cidade onde nascera, tendo sua última frase sido escrita na língua inglesa:
É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa tendo seu valor comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, ao lado de Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Por ter vivido a maior parte de sua juventude na África do Sul, a língua inglesa também possui destaque em sua vida, com Pessoa traduzindo, escrevendo, trabalhando e estudando no idioma. Teve uma vida discreta, em que atuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura, onde desdobrou-se em várias outras personalidades conhecidas como heterônimos. A figura enigmática em que se tornou movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e obra, além do fato de ser o maior autor da heteronímia.
Morre de problemas hepáticos aos 47 anos na mesma cidade onde nascera, tendo sua última frase sido escrita na língua inglesa:
“I know not what tomorrow will bring… “.
Fonte: Wikipedia
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Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, aqui estou!
(...)
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, aqui estou!
(...)
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
Fernando Pessoa - O Guardador de Rebanhos (V)
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Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.
Alberto Caeiro O GUARDADOR DE REBANHOS (IX)
Ixabel
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.
Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
O Mundo não se fez para pensarmos nele
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914
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O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914
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As férteis flores em nossos jardins
Precisam do refúgio de bosques ou muros,
Mas tu, embaixo do abrigo do acaso,
De terra ou de pedra,
Mas tu, embaixo do abrigo do acaso,
De terra ou de pedra,
Adornas o seco restolhal,
Recôndita e solitária.
Idem
Ixabel
Vil, modesta flor de rubra corola,
Comigo deparaste em má hora;
Quando na terra acabo de esmagar-te
E a tua fina haste:
Agora supera as minhas forças poupar-te,
Oh, linda jóia.
poesiacontraaguerra.blogspot.com
Fonte: Burns, R. 1994. 50 poemas. RJ, Relume-Dumará.
Poema – cujo subtítulo é “Ao revirá-la com o arado” – originalmente publicado em 1786.
Ixabel
Oh, yes, the sky is splendid,
So blue as it now,
The air and light are blended,
Oh yes, hot, anyhow,
Nothing of this is you
I'm absent from your kiss,
That`s all I get that`s sad and true
In this
What matter is just you.
The happy sun is shining... Fernando Pessoa 22-11-1935
Ixabel
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De arvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
(...)
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ella nada pode
Dizer-te.
A resposta
Está além dos Deuses.
(...)
Ricardo Reis, heterónimo Fernando Pessoa - 1916
Ixabel
No nosso jardim havia flores de todas as belezas...
Rosas de contornos enrolados,
lírios de um branco amarelecendo-se,
papoilas que seriam ocultas se o seu rubro lhes não espreitasse presença,
violetas pouco na margem tufada dos canteiros,
miosótis mínimos,
camélias estéreis de perfume...
E, pasmados por cima de ervas altas, olhos,
os girassóis isolados fitavam-nos grandemente.
As flores, as flores que ali vivi! (...)
As flores, as flores que ali vivi! (...)
Ó horas multicolores!...
Instantes-flores,
minutos-árvores,
ó tempo estagnado em espaço,
tempo morto de espaço e coberto de flores,
e do perfume de flores,
e do perfume de nomes de flores!...
Na Floresta do Alheamento Fernando Pessoa
Ixabel
"É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada. "
Fernando Pessoa

